O que você vai fazer quando
segundos antes de dormir o seus olhos se fecharem e encontrarem o meu rosto?
Quando você se lembrar do último beijo que não soube ser último e deixou meu
gosto preso nos seus lábios? Quando meu perfume esvair dos seus lençóis, mas
não da sua memória? Como vai encarar a companhia da solidão quando o amor de
doze horas for embora pela manhã? E a porta continuar fechada, porque agora só
você possui a chave? Como você vai reagir quando ninguém notar o seu timbre
triste ou se preocupar com o decorrer dos seus dias? O que vai sentir quando o
ar ocupar o lugar entre seus dedos? Quando do outro lado do telefone ninguém te
atender? Você vai saber lidar com o silêncio? E se acostumar com o cobertor
como única fonte de calor? Você não sabe. E esse não saber devasta minhas expectativas,
consome meus sonhos, apaga os meus sentimentos. E é para não perder o que ainda
nos resta que eu vou deixar que você me perca. Vou deixar que você descubra.
Sozinho.
21 de setembro de 2012
7 de setembro de 2012
O estúpido vício de amar você
Alguém viu o meu amor próprio por aí? Meu coração ainda vem na boca com uma mensagem dele. Arranquem o perfume impregnado na minha pele, no grito, no tapa. Batam na minha cara para ver se a vergonha aparece. Já tenho diagnóstico: estupidez aguda. Tentei usar o tempo como cura, mas a presença dele ainda inquieta meus sentidos, adormece minha razão. A sanidade perde feio pra um olhar dele. Alguém me traz um espelho, preciso ver para relembrar os hematomas no corpo inteiro e a cicatriz do lado esquerdo. Ele vem sempre com as mesmas palavras, as mesmas mentiras, o mesmo egoísmo. E minha fantasia ainda distorce cada letra. Meus neurônios sinalizam não e minha língua sonoriza sim. Os fatos me mandam embora, mas seu jeito sem vergonha contamina minha decisão. Eu fico, como boa idiota que sou. Faço vista grossa uma, duas, três vezes mais. Não dá mais. Então a indiferença dele passa a envenenar meu desejo. A vaidade dele corrompe o mundo paralelo que criei. A cama vazia de manhã berra por uma migalha de bom senso. Mudo a fechadura, o número do telefone, os lugares que frequento. Tomo doses controladas de juízo e finjo esquecimento. Até, na curva do sorriso dele, esbarrar outra vez com a minha insanidade.
30 de agosto de 2012
Como mostrar que superei
Se eu, por um descuido do
acaso,
esbarrar com ele na rua,
ou num supermercado,
abrir um sorriso fácil
como quem desde sempre está feliz
e contar que me matriculei na academia
pelo namorado novo
Será que ele acredita?
esbarrar com ele na rua,
ou num supermercado,
abrir um sorriso fácil
como quem desde sempre está feliz
e contar que me matriculei na academia
pelo namorado novo
Será que ele acredita?
E se eu falar da minha
falsa promoção
de como eu durmo melhor sem um trator do meu lado
da viajem que farei com a Tati
porque a liberdade bateu a minha porta
e foi o melhor presente
Será que ele acredita?
de como eu durmo melhor sem um trator do meu lado
da viajem que farei com a Tati
porque a liberdade bateu a minha porta
e foi o melhor presente
Será que ele acredita?
E se eu fingir que não o
vi
e desfilar no corredor de cereais
exibindo as curvas que a cinta modeladora me deu
e esquecer o nome dele
quando ele vier falar comigo
Será que ele acredita?
e desfilar no corredor de cereais
exibindo as curvas que a cinta modeladora me deu
e esquecer o nome dele
quando ele vier falar comigo
Será que ele acredita?
E se eu fizer isso tudo
sem chorar
Será que ele acredita?
Será que ele acredita?
29 de agosto de 2012
Minha palavra é puro sentimento
Como se controla um sentimento? E
todos eles? Como boa canceriana que sou o sentir está em cada vértice meu.
Sinto muito. Sinto demais. O que habita o peito me transborda. Em ações, em
sonhos e principalmente em palavras. Minha montanha-russa de emoções rende muitas
linhas. Uma lágrima vira conto, um sorriso poesia. Sei fazer drama e criar
fantasia. Mas quando o coração vem na boca, me desfaço da roupagem literária, dos
adjetivos que “embonitam” e transcrevo nu o que me dói, me alegra, me faz
sentir. Poucas coisas me roubam a letra. Nada me tira a emoção. Eu não sei ser
só um pouquinho. Porque o que sou é o que sinto e não existe sentir mais ou
menos. Quando se trata do esquerdo meio termo que é fantasia. A alma é por
inteira. O sentimento também. Adoro números, mas sou amante das palavras. Conto
o tempo sem parar, mas me perco nele quando meus dedos encontram o teclado e
minha mente uma fantasia. Sou inquieta. Só encontro paz quando coloco para fora
o que estou sentindo, num grito, num sussurro ou num verso. Sei maquiar um
sorriso. Mas acho lindo mesmo quando alguém me rouba algum. O que tem essência
me encanta. O que é vazio eu dispenso. Só o que tem coração pode render uma boa
história.
Ei, você!
Ei, você! Você que pula o
romantismo e faz com que eu me sinta uma boba querendo viver fantasia. Você que
possui o mar nos olhos. Você que se esconde em entrelinhas de palavras rápidas.
Você que me rouba o sono e me traz os melhores sonhos, em realidade. Você que é
dono das combinações de letras mais esquisitas num nome. Você que me encanta
tentando me desencantar. Você que me provoca o pior. Você que me provoca o
melhor. Você que me tira do sério. Você que traz sorrisos. Você que põe meus
pés no chão, mas deixa meu coração nas nuvens. Você que não quer chamar
atenção, e usa verde limão. Você que tem medo de me magoar. Você que não aceita
ser príncipe. Você que me traz paz com um sorriso. Você que diz ser humano, mas
parece vir de outro planeta. Você que é lobo mal. Você que sabe ser leão
manhoso. Você que me faz suspirar. Você que me rouba o ar. Você que vive de
momentos. Você que me fez querer o para sempre. Você que traz vida. Você que vive
num pensamento. Num sonho. Em mim. Ei você! Você é real?
Insônia
Não consigo dormir de tanto pensar em você. Viro para um lado, pro outro, mas você está até nesse espaço vazio na cama, cheio de pré-saudades! Diz que isso é normal? Tenho uma teoria: em noites de insônia olhamos para a nossa vida toda e notamos apenas o que realmente importa. Aí que eu noto principalmente você e isso me assusta... Diz que esse amor todo não faz mal? Quando eu penso que já atingi um nível absurdo de amor, você me faz alcançar outro... Tomara que com você também seja assim!
(quando o coração envia mensagem de madrugada.)
27 de agosto de 2012
1970
Eu abandono as palavras que há muito não conseguem expor o sentimento e mergulho meus olhos nos seus. Você me tira para dançar bem perto, me levando ao final da década de 70. Rosto colado, você sussurra sobre eu ser a mais bela dama do baile. Um pra lá e um pra cá, eu me derreto e confesso o incrível galanteador que você é. Os rostos se afastam, o suficiente para um beijo. Eu adoro quando você faz romance para me conquistar, mesmo eu já sendo tão sua. Toda sua. Eu não sei mais parar de suspirar. Acontece que você revolucionou meu conceito sobre amor com os seus detalhes. E eu me apaixono por eles todos os dias. No século XXI, tem coisa mais radical? Fernanda Mello me contou que não, naquele livro que você me deu. Eu poderia estar com medo agora, mas você tem olhos de promessa e segura minha mão como se fosse me proteger. Então me deixa ser menina e te conquistar mais uma vez. Me deixa ser mulher e roubar um suspiro seu também. E sem o medo contemporâneo, sem a superficialidade do mundo moderno, esquece o ano em que estamos e deixa o amor nos fazer dançar.
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